Livro o peso da gloria sobre uma mesa aonlado de uma xícara de café

O livro é uma brilhante compilação de palestras realizadas no final da Segunda Guerra Mundial e períodos subsequentes, estão organizadas em ordem cronológica, com exceção de “O peso da glória”, todas realizadas para responder a solicitações pessoais, apresentadas em igrejas, universidades e clube. Lewis nos presenteia com uma obra genial, onde reúne temas como cristianismo, razão e emoção, natureza e homem, cada sermão compõe um capítulo.

Capa divulgação o peso da glória
Sinopse: Nos nove sermões que compõem uma de suas obras mais clássicas, O peso da glória, C.S. Lewis demonstra por que é um dos autores cristãos mais influentes da História. Ele é capaz de tratar os mais variados temas de modo brilhante, trazendo simplicidade e clareza a assuntos complexos, instigando tanto nossa alma quanto nosso intelecto. Agora com edição especial e nova tradução, O peso da glória traz aos leitores contemporâneos as mesmas palavras de inspiração, orientação e apologia da fé cristã que levaram alento a milhares de ouvintes em um tempo recheado de dúvidas. 
 

 O primeiro capítulo é, justamente, o sermão que nomeia o livro, Lewis faz uma alusão à gloria futura no céu almejada pelos homens. Uma abordagem escatológica que só será possível pela obra de Cristo em nós, se escolhermos agradar a Deus e sendo aprovados por Ele. A premissa de que a glória eterna é nosso mais relevante desejo, pois tê-la significa ser bem avaliado, aceito por Deus, ter seu reconhecimento e acolhimento. É essa a aspiração presente pela qual passamos a vida buscando. Lewis também faz uma crítica sobre o encantamento da glória pela fama, de ser notado e elogiado, no entanto esse tipo de glória é um veneno da autoadmiração. “A humildade perfeita não dá lugar para a modéstia. Se Deus estiver satisfeito com a obra, a obra pode ficar satisfeita consigo mesma; não cabia a ela trocar cumprimentos com seu Soberano.


Poderá algo ser acrescentado à concepção de estar com Cristo? Pois deve ser verdade, como um velho escritor diz, que quem possui Deus e tudo mais não tem mais do que quem possui somente Deus.


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Um ponto que chama atenção, é sobre um preconceito predominante, que atividades realizadas por eruditos e poeta são mais agradáveis a Deus do que a de catadores de lixo e engraxate. Exortando a renunciar completamente esse tipo de mentalidade. Assim, a obra de qualquer um, independe de classe social,  são igualmente dignas de serem oferecidas a Deus. Precisa-se ter cautela quanto a vocação, não permitindo ser dominado pelo talento que possui. E se isso acontecer, esse é o momento de desistir do que te corrompe.

[...] ter prazer não no exercício de nossos talentos, mas no fato de que são nossos, ou mesmo na reputação que eles nos trazem. Cada sucesso na vida do estudioso aumenta esse perigo. Se isso se tornar irresistível, ele deverá desistir de seu trabalho acadêmico. O momento de arrancar o olho direito terá chegado.

  

 O desejo em participar de um grupo particular também é algo a ser ressaltando. A busca pelo prazer de fazer parte de um círculo íntimo, seja do grupinho da faculdade, do trabalho, do bairro, enfim, o que importa mesmo é estar do lado de dentro. No entanto, uma vez pertencente ao grupo você pode ser corrompido por ele tanto para o bem quanto para o mal. Em um grupo onde a reunião é para um bom propósito não há exclusões, mas o círculo íntimo genuíno existe para excluir, afinal não teria graça fazer parte de um grupo se não existesse outros do lado de fora. Lewis enfatiza que “de todos as paixões o círculo íntimo é o mais hábil em fazer com que uma pessoa que ainda não é muito má , faça coisas muito más.” O círculo é o símbolo de todos os vícios, a busca por aquilo que não se pode ter.

Obediência é o caminho para a liberdade, humildade é o caminho para o prazer, unidade é o caminho 

 

 Um destaque  também para a “membresia” e o “perdão”, o primeiro, por representar bem o momento de isolamento que estamos vivendo atualmente, ao enfatizar que estamos num mundo faminto pelo silencio e privacidade, fazendo do cristianismo algo de natureza privativo, de um exercício solitário. Os cristãos verdadeiro sabem que o cristianismo é um assunto de natureza coletiva, pois, somos como um conjunto de órgãos fazendo parte de um único corpo, o corpo de Cristo. O segundo, por ser um tema de grande destaque na vida de qualquer ser humano, e algo muito difícil de liberar, dependendo da situação, ressaltando que o verdadeiro perdão é olhar para o pecado que sobrou e não foi pedido desculpa e mesmo assim, perdoar. 

Ser cristão significa perdoar o indesculpável, porque Deus perdoou o indesculpável em você.

 

 A escrita de Lewis é sempre muito inspiradora, no entanto a narrativa é bem densa e instigante, deve ser lido com paciência e muita meditação, não é algo rápido e fácil de ser compreendido, porém, são reflexões de extrema relevância para a edificação espiritual. O peso da gloria é uma leitura enriquecedora e bem atual, mesmo tendo sido escrito no século passado. Os ensinamentos e exortações contidos nos sermões são valiosos para vida. Recomendável para todos que desejam ter um conhecimento mais profundo sobre o cristianismo.


Título: O peso da gloria 

Autor: C. S. Lewis 

Editora:Thomas Nelson Brasil (2017)

Páginas: 192

Classificação: ⭐⭐⭐⭐⭐


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